Na madrugada desta sexta-feira (11), a Beija-Flor de Nilópolis definiu o samba-enredo que vai embalar seu desfile no Carnaval 2027. O anúncio do campeão aconteceu por volta das 3h30, na quadra da escola, em Nilópolis.
A disputa contou com uma participação especial: uma composição da escola de samba paraense Bole-Bole também estava entre as finalistas. Ao fim da noite, a parceria formada por Marquinhos Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire foi consagrada vencedora.
Com Pixulé no comando dos intérpretes, o samba tomou conta da quadra e das arquibancadas durante a apresentação. Um dos grandes destaques foi o refrão, que já era cantado pelo público acompanhado apenas pelos atabaques antes mesmo da abertura dos microfones.
A apresentação concentrou suas atenções no pavilhão azul e branco. O momento à capela ajudou a criar uma forte conexão entre o palco e a comunidade, que acompanhou a entrada do refrão principal e celebrou a vitória da parceria.
Um samba marcado pela ancestralidade e pela cultura paraense
A composição vencedora mergulha na trajetória de uma personagem ligada à cultura amazônica e paraense, conectando elementos da natureza, espiritualidade, ancestralidade indígena e herança africana.
Logo no início, o samba apresenta essa relação com a natureza e com a figura de Auí:
voltei guiada pelo vento
trago cada elemento que da natureza emana
auí fez de mim seu instrumento
sob a lua o encantamento da magia caruana
A letra também percorre referências à pajelança, aos saberes ancestrais e às manifestações culturais do Pará, trazendo elementos como maracá, carimbó, siriá, marujada e muiraquitã.
Outro ponto de destaque é a conexão entre o Norte e Nilópolis, sintetizada no verso:
eu sou cabocla com herança africana
mestre mundico me ensinou a dar o nó em caruá!
eu tenho a alma nilopolitana!
A composição ainda faz referência a nomes e símbolos importantes da narrativa, como Mãe Nazinha, Pajé Zeneida, Mestre Mundico e Aguaguara, além de reforçar a força da ancestralidade e da cultura popular.
No refrão final, a obra ganha ainda mais força com a chamada:
ê… incorpora, caboclo! incorpora, caboclo!
quero ver incorporar!
E encerra conectando diretamente a história apresentada ao chão da escola:
comunidade, caruana beija-flor!
Com a escolha definida, a Beija-Flor já tem seu samba-enredo para levar à Sapucaí em 2027, unindo a identidade nilopolitana à força da cultura e da ancestralidade paraense.
