A poucos dias dos desfiles, as escolas de samba da Série Ouro vivem um cenário de incerteza e apreensão. Em nota oficial divulgada nesta semana, as agremiações fizeram um apelo público e urgente ao governador Cláudio Castro para a liberação imediata dos recursos destinados ao Carnaval 2026, que até o momento não foram garantidos formalmente pelo Governo do Estado.
O alerta surge após o anúncio de um patrocínio de R$ 40 milhões para as escolas do Grupo Especial. Enquanto isso, faltando apenas três dias para os desfiles, não há contrato assinado nem comunicado oficial que assegure os repasses às escolas da Série Ouro, valores que foram pagos regularmente nos últimos anos e que são considerados essenciais para a realização do espetáculo.

Segundo a nota, a ausência desses recursos compromete diretamente a finalização dos carnavais e, principalmente, o pagamento de centenas de trabalhadores envolvidos na produção dos desfiles. Profissionais como costureiras, ferreiros, aderecistas, carpinteiros, soldadores, eletricistas, músicos e seguranças correm o risco de não receber pelo trabalho já realizado.
Nos carnavais anteriores, as escolas da Série Ouro contavam com dois contratos de apoio financeiro: um firmado com a Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e outro com a FUNARJ. No entanto, o contrato com a Secretaria de Cultura foi cancelado. Apesar disso, o Governo do Estado teria prometido manter os recursos, com pagamento via FUNARJ ou outro órgão estadual, o que, até agora, não se concretizou.
A falta de garantias oficiais gera consequências imediatas. De acordo com as agremiações, muitas escolas não têm condições financeiras de concluir seus desfiles, pagar seus funcionários ou sequer sair dos barracões. O risco de não participação no Carnaval 2026 é real, afetando não apenas as escolas, mas toda a cadeia produtiva do evento, responsável por milhares de empregos diretos e indiretos.
Diante da gravidade da situação, as escolas da Série Ouro reforçam o caráter respeitoso, porém urgente, do apelo ao governador Cláudio Castro. As agremiações afirmam confiar na sensibilidade e na intervenção direta do chefe do Executivo estadual para que os recursos sejam liberados imediatamente. Sem isso, alertam, o prejuízo será irreparável para a cultura popular, para os trabalhadores do Carnaval e para a própria história do Rio de Janeiro.
O Carnaval, além de manifestação cultural, é um dos maiores motores econômicos do estado. Para as escolas da Série Ouro, a indefinição atual coloca em xeque não apenas o desfile na Marquês de Sapucaí, mas a continuidade de um espetáculo que sustenta vidas, tradições e a identidade cultural do Rio.
